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A "generosidade" do Banese em nome da pandemia visa lucro altíssimo

O governador Belivaldo Chagas determinou que o Banco do Estado de Sergipe PRORROGASSE por três meses as mensalidades dos empréstimos consignados dos servidores públicos, bem como os CDCs , devido o momento difícil que todos estão passando pela pandemia do Covid-19.
Desde o dia 1° de maio o BANESE   já disponibilizou para os aplicativos de smartphones a opção de "PRORROGAÇÃO" para quem tem empréstimo com a instituição financeira, e já provocou dúvidas e indignação em quem fez simulações nas "ofertas generosas" do banco para seus clientes.
Diferente do que determinou o governador do Estado, e mais ainda do que explicou a assessoria de comunicação do BANESE, que disse o seguinte: "Dessa forma, a prorrogação está sendo oferecida com a manutenção da taxa de juros do contrato anterior, sem aumento no valor mensal das parcelas e sem cobrança de IOF, com a distribuição dos juros de carência nas parcelas do novo contrato". Dito assim, leigo que somos do sistema bancário, como também deve ser o governador, a crença era numa simples prorrogação, isto é, suspender os descontos dos empréstimos, e só retornar com eles após noventa dias. Simples assim!
Mas não é bem assim que está sendo ofertado pelo BANESE. A operação aumenta o número de parcelas restantes, e o que é pior, aumenta estupidamente o saldo devedor de quem optar, por se tratar de adesão a um novo contrato, e não suspensão de parcelas do atual. A cobrança do IOF que a instituição diz não cobrar, também não é bondade do banco. Trata-se do cumprimento de uma decisão atribuída para todas as intituições financeiras.
A seguir, observe uma simulação para quem teria um empréstimo contratado no mês de dezembro de 2019 no valor de R$ 5.000,00 , portanto, pagaria a quinta parcela de vinte e quatro no valor de R$ 299,33 agora no mês de maio. Preste atenção.
Contrato atual
Valor contratado em dez/2019 = R$ 5.000,00
Valor da parcela = 299,33
Número da próxima parcela = 5/24
Próxima parcela =  Maio de 2020
Última parcela = Dezembro de 2021
Valor final da operação = R$ 7.183,92  (Acréscimo de R$ 2.183,92)
Oferta de Prorrogação (na verdade um novo contrato)
Valor contratado em mai/2020 = R$ 4.608,81
Valor da parcela = R$ 293,83
Número da próxima parcela = 1/23
Próxima parcela = Agosto de 2020
Última parcela = Junho de 2022
Valor final da operação = R$ 6.758,09  (Acréscimo de R$ 2.149,28)
Como se vê, no contrato atual o cliente restaria vinte parcelas, enquanto no novo contrato as parcelas passam para vinte e três, pagando a primeira parcela em agosto/2020. Ainda há outra conta que deve ser levada em conta pelo optante. Usando ainda a simulação, o cliente já teria pago 4 parcelas de R$ 299,33 que totalizam R$ 1.197,32. Levando em conta esse valor já pago no contrato atual, somado ao valor final da operação, se optar pelo novo contrato que é de R$ 6.758,09, totalizamos R$ 7.955,41.
Como já me auto classifiquei leigo do sistema bancário, e num raciocínio matemático lógico, concluo que a "GENEROSIDADE" do BANESE para a clientela é bem onerosa. Pelo cálculo final da simulação aqui exposta, o cliente concluiria seus pagamentos em junho de 2022, com um acréscimo de R$ 771,49 no valor final da operação do novo contrato, considerando o valor original de seu empréstimo contratado em dezembro de 2019 no valor de R$ 5.000,00.

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