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Opinião:"Não basta ganhar eleição, É preciso ser estadista!"

Por Almeida Lima

A Nação continua dividida. O mais grave é que está fragilizada e sem rumos. Não há líderes e a mediocridade avança. O realismo irreverente de Nelson Rodrigues já havia previsto que “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos."
Desconheço nação que se destaque sem a liderança de estadistas: homens e mulheres de estatura, de sabedoria que lhes faz se antecipar em atitudes. A história dos sucessivos governos do Brasil dimensiona a sua baixa qualidade, o que contrasta com a grandiosidade do país.
Agora mesmo, a pandemia de coronavírus consegue pôr a nu a cena política brasileira ao revelar governos e poderes, nos três níveis federativos, em pandemônio: grupo de autoridades a causar tumulto, confusão e desordem, capazes de provocar o mal pelas decisões difusas, opostas, contraditórias e irresponsáveis, com potencial para matar milhões de pessoas. Raça de víboras.
O momento exige estatura, sabedoria, responsabilidade, firmeza, coragem, seriedade, espírito público, humanismo e solidariedade. Exige-se antecipar-se aos fatos e tomar decisões responsáveis e eficazes. O mundo já demonstrou: nada de afrouxar o isolamento social. Restringir mais e mais a convivência, e quem sabe até promover o isolamento geográfico de áreas desse Brasil continente, onde o vírus ainda não alcançou.
Nesse instante a prioridade é a vida sem distinção de qualquer natureza, aí incluídas a assistência à saúde e à alimentação, e que se faça uso das reservas monetárias do país, se necessário, que somam em torno de um trilhão e quinhentos bilhões de reais, bem assim, que se tribute as grandes fortunas a fim de não se permitir a morte, por fome, de qualquer brasileiro.
Pari passu, que se cuide de evitar uma acentuada e prolongada debacle na economia, na certeza que dela não se escapará. E faço aqui uma provocação aos neoliberais, aos defensores do capitalismo financeiro monopolista, aos opositores da regulação da economia pelo estado: os senhores vão dispensar os trilhões de dólares dos diversos países, dinheiro público, portanto, para a recuperação da economia? Ou a quebradeira será socorrida com os trilhões dos senhores financistas, rentistas concentradores de capital? 
Qual nada! Os senhores vão mesmo é festejar um novo New Deal, agora inflado com capital chinês. Vão é aplaudir a teoria Keynesiana por ser fundamental a tarefa de socorro do estado na economia. Afinal, o estado, mundo a fora, sempre foi bom para restaurar a capacidade produtiva e a capacidade de geração de empregos, não permitindo matar a galinha que lhes gera ovos de ouro, malgrado a fome de milhões e milhões de seres humanos que o capital selvagem patrocina na periferia do planeta.
Assim, almejo que a pandemia, apesar do sofrimento, nos faça aprender, tal qual os países escandinavos aprenderam em meio à Grande Depressão de 1929, ao aplicarem o keynesianismo e as teses da Escola Econômica de Estocolmo, instituindo as políticas de Economia Mista e de Bem Estar Social, o que fez conquistarem até hoje as melhores referências em economia e qualidade de vida do mundo.
Desta forma, o povo, aqui ou em qualquer parte do mundo, não precisa de simples vencedores de eleições para comandar o seu destino. Clama-se mesmo é por estadistas – líderes que têm a compreensão da humanidade e de sua história, que entendem como se dá o processo histórico e que possuem sabedoria para os momentos em que são expostos aos grandes desafios.

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